Entre o desgaste da fórmula e a vulnerabilidade dos Warrens

De um filme de terror que surpreendeu pela direção cuidadosa e por um par de protagonistas carismáticos, a franquia Invocação do Mal cresceu além da proposta inicial de apenas acompanhar o casal de demonologistas vivido por Vera Farmiga e Patrick Wilson. Com o tempo, tornou-se um universo compartilhado que, se por um lado brilhou sob a virtuose de James Wan e seu diretor de fotografia Don Burgess, por outro se desgastou com derivados como Annabelle e A Freira, aquém do produto original. Agora, em seu quarto e derradeiro capítulo, a saga chega sentindo o peso da repetição.

Dirigido por Michael Chaves (Invocação do Mal 3, A Maldição da Chorona), O Último Ritual assume uma narrativa mais sombria, ainda que sem um antagonista memorável como os que marcaram capítulos anteriores. A trama acompanha os Warrens em 1986, prestes à aposentadoria, mas ainda envolvidos em casos de possessão, enquanto flashbacks nos levam ao início dos anos 1960 para revisitar momentos de sua juventude. Esse movimento temporal reforça os vínculos familiares e a sensação de perda iminente, mas também prolonga demais o tempo de tela, diluindo a força do terror.

Se o foco em relações humanas sempre foi um trunfo da franquia, garantindo empatia tanto para os protagonistas quanto para as vítimas, desta vez o recurso parece levado ao limite. Chaves emula o estilo de James Wan em planos-sequência ousados e movimentos de câmera estilizados, mas nem sempre com a mesma justificativa narrativa. Há ainda um uso mais pesado de efeitos visuais que, em alguns momentos, soa desnecessário — e o fan service de insistir em reapresentar Annabelle em escala exagerada não contribui.

Apesar dos tropeços, é possível reconhecer que este é um dos episódios mais densos e apreensivos da série, em especial por mostrar os Warrens mais vulneráveis e abalados do que nunca. A atmosfera construída sustenta a tensão e confere peso emocional ao filme, mesmo que o frescor do terror original já não esteja presente.

No balanço final, Invocação do Mal 4: O Último Ritual encerra a trajetória dos demonologistas no cinema com dignidade. Não revoluciona o gênero, tampouco se despede em seu auge, mas oferece uma conclusão que equilibra sustos, suspense e um inesperado afago para a alma.

*Título assistido em Pré-Estreia promovida pela Warner Bros. Pictures Brasil

Foto: Warner Bros. Pictures Brasil

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal C+

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