Terceiro capítulo tenta equilibrar nostalgia e renovação, mas tropeça na própria ambição Achar que um quarteto de mágicos sorrateiros pode derrubar um império corrupto já exige muito da suspensão de descrença do público, mas Truque de Mestre — O 3º Ato decide dobrar a aposta. Desta vez, os ilusionistas entram em uma guerra centenária contra nazistas e criminosos de alto escalão, numa tentativa ousada de elevar o escopo da franquia — e, ao mesmo tempo, prepará-la para o futuro. Sob a direção de Ruben Fleischer, o novo filme tenta resgatar a essência dos primeiros capítulos enquanto introduz uma nova geração de rostos e truques. O enredo se desenrola com o grupo original dos Cavaleiros afastado desde o último grande golpe. Enquanto isso, um trio de jovens trapaceiros — vividos por Justice Smith, Dominic Sessa e Ariana Greenblatt — aplica golpes em milionários com a ajuda das redes sociais e da fama digital. Essa nova onda chama a atenção de Atlas (Jesse Eisenberg), que vê nos jovens a chance de unir as gerações e arquitetar um plano audacioso: roubar o maior diamante já encontrado para expor uma herdeira bilionária, Veronika (Rosamund Pike), envolvida em lavagem de dinheiro e crimes internacionais. A proposta soa promissora — especialmente pela química entre o elenco veterano e os novos integrantes — e o filme acerta ao usar essa relação como metáfora de passagem de bastão entre duas eras. Enquanto os mágicos antigos se apoiam em truques clássicos e teatralidade, os novatos apostam em tecnologia, algoritmos e ilusão digital. Essa contraposição entre tradição e modernidade dá frescor ao longa, ainda que o roteiro, escrito por Eric Warren Singer, raramente saiba o que fazer com ela. Os problemas começam quando o filme tenta expandir demais o próprio universo. A ideia de uma batalha histórica entre mágicos e nazistas é tão absurda quanto desnecessária, enfraquecendo o senso de diversão que marcou os filmes anteriores. As sequências de ação, embora visualmente caprichadas, abusam do CGI, tornando o espetáculo artificial e previsível. O resultado é uma narrativa que quer ser épica, mas se perde entre conspirações exageradas e reviravoltas que desafiam não apenas a lógica, mas também a paciência do público. Ainda assim, Truque de Mestre — O 3º Ato tem seus encantos. As performances continuam carismáticas, com Eisenberg em plena forma e Mark Ruffalo entregando a mesma intensidade do agente Dylan Rhodes. A adição de Lizzy Caplan segue sendo um dos acertos da franquia, e a presença dos novatos oferece um sopro de energia — mesmo que a trama não dê a eles o espaço merecido. No fim das contas, o longa tenta fazer um escapismo dentro do próprio escapismo, apostando tudo na boa vontade do público em ser enganado. É divertido em momentos pontuais e mantém a alma lúdica da série viva, mas perde-se em sua ambição de transformar mágica em épico. Truque de Mestre — O 3º Ato é como um grande truque que revela cedo demais o segredo: o encanto desaparece, mas o esforço de entreter ainda é digno de aplausos. *Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Paris Filmes. Foto: Paris Filmes ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal C+ Navegação de Post Crítica: “Grand Prix: A Toda Velocidade” Crítica: “Wicked: Parte 2”