Espetáculo no Taguaparque reuniu sucessos da carreira, novas faixas do álbum e reflexões da cantora sobre amor, dor e superexposição

Luísa Sonza apresentou em Brasília o show do álbum Brutal Paraíso, quarto disco de estúdio da artista, durante a programação da Semana S 2026, considerada o maior evento integrado do sistema de comércio. A apresentação gratuita ocorreu no palco principal do Taguaparque, em Taguatinga, e trouxe ao público um espetáculo marcado pela mistura de funk, bossa nova e referências da música brasileira contemporânea.

Foto: Diana do Vale

Lançado no início de abril, o disco chamou atenção pela proposta sonora que transitou entre ritmos populares e elementos mais intimistas, refletindo experiências pessoais vividas pela cantora nos últimos anos. Em entrevista ao C+, Luísa revelou que a faixa mais difícil de produzir foi O som da despedida, por abordar temas delicados e experiências emocionais profundas. Ao comentar o processo de composição, Luísa afirmou:

“Eu acho que é O som da despedida, porque lida com assuntos muito delicados e, como eu disse, nenhuma experiência é individual. Eu não queria falar sobre um assunto tão sério de uma maneira que fosse prejudicial para quem estivesse escutando, sabe. Que de alguma maneira fosse uma influência, vamos dizer, ruim, porque é um assunto muito sério. Mas O som da despedida foi muito difícil e eu consegui traduzir o que eu estava sentindo num certo momento da minha vida, que foi muito complicado, mas sem de alguma maneira passar uma coisa ruim. Pelo contrário, está tudo bem agora. Tem uma redenção ali, pelo menos no final da música, porque foi isso que aconteceu comigo, de fato. E eu acho que, como eu disse, nenhuma experiência é individual. Então, acho que de alguma maneira muita gente também viveu isso ou vai viver, mas eu quero que ninguém viva. Então, O som da despedida foi aquela coisa: como eu faço para ser 100% positiva para o público? Não trazer uma coisa negativa. Por isso foi a faixa mais difícil.”

Foto: Diana do Vale

A dualidade presente em Brutal Paraíso apareceu também na maneira como Luísa abordou sentimentos contraditórios ao longo do álbum. Segundo a cantora, as músicas exploraram a relação entre amor e caos, prazer e vazio, exposição e solidão. Essas reflexões estiveram presentes em canções como Amor! Que pena, que tratou do fim de um relacionamento, e Sempre você, que falou sobre o tempo e os clichês do amor.

Conhecida por transformar episódios da própria vida em material artístico, Luísa também falou sobre os desafios da fama e da exposição constante nas redes sociais. Nos últimos anos, a cantora esteve no centro de debates públicos envolvendo relacionamentos, carreira e ataques virtuais.

Essas experiências pessoais acabaram refletidas em diferentes momentos da carreira da artista, especialmente nos álbuns Doce 22 e Escândalo íntimo, além do próprio Brutal Paraíso. Parte desse processo também foi retratada no documentário Se eu fosse Luísa Sonza, lançado pela Netflix em 2023, no qual a cantora expôs bastidores da carreira, conflitos emocionais e os impactos da superexposição na internet.

No show realizado em Taguatinga, o repertório foi centrado nas músicas do novo álbum, mas também contou com canções já conhecidas do público. Luísa afirmou que a apresentação trouxe um formato diferente dos trabalhos anteriores. Durante o show, fãs com penas verdes na cabeça fizeram da noite uma das mais marcantes de Brasília.

Foto: Diana do Vale

A apresentação reuniu fãs de diferentes idades no Taguaparque e consolidou Brasília como uma das cidades incluídas na nova fase da turnê de Brutal Paraíso, marcada por uma estética mais intensa, emocional e conectada às vivências pessoais da artista.

Foto: Diana do Vale

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