Ainda hoje, mais da metade de todo o setor é propriedade de uma única empresa Imagem: Agência Brasília. A PL 3819/20 tramita em regime de urgência na câmara dos deputados e pode fazer mudanças dramáticas no mercado de ônibus interestaduais se for aprovada. O legislativo deve chegar a um consenso até a primeira metade de julho. A Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati) e a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) criticaram a urgência. Segundo as entidades, isso vai manter o projeto alinhado com os interesses das empresas que dominam o setor. “Conforme recentes estudos da ANTT, o mercado rodoviário atual se caracteriza como oligopólio, já que dados públicos mostram que, em 66% das linhas, há apenas uma empresa atuando. Em 26%, duas empresas. Em somente 8%, há três ou mais.” disse a Amobitec em nota. Segundo o próprio Ministério da Infraestrutura, o projeto será danoso ao consumidor e pode deixar os moradores de mais de 600 municípios sem opções de transporte. Isso porque a proposição elimina todas as concessões emitidas depois de 30 de outubro de 2019. Além disso, a lei exigiria que para atuar no setor, as empresas deveriam ter um capital social mínimo de 2 bilhões de reais, o que deve restringir o setor às grandes corporações. ‘Tratorada’ no senado A medida foi aprovada no senado com uma votação simbólica conduzida pelo então presidente da casa, Davi Alcolumbre (DEM-RO). Na época, o então senador e atual diretor do senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), indicou um dos seus assessores, o ex-deputado estadual, Arnaldo Silva Júnior, para dirigir a agência reguladora. Pacheco é dono da Viação Real e da Auto Ônibus Santa Rita. O indicado é dirigente do DEM, não tem experiência na área e foi condenado por improbidade administrativa. Além de Pacheco, outros senadores como Acir Gurgacz (PDT-RO), também participaram da criação do texto e tem empresas que serão beneficiadas. Até parlamentares da base governista criticaram a medida. A senadora Soraya Thronicke (PSL-MS), questionou a aprovação apressada. “Isso tinha que ser discutido com mais parcimônia, com mais tempo, e não foi isso que nós combinamos. Não é isso que nós queremos”. Navegação de Post Senado promove reunião para debater sobre o Plano Nacional de Imunização e combate à pandemia Derrota da extrema direita francesa nas eleições regionais