Jon Avnet entrega um drama esportivo que promete emoção e redenção, mas tropeça em sua própria falta de autenticidade Em O Último Rodeio, acompanhamos Joe Wainwright, um lendário montador de rodeio aposentado que decide voltar às arenas para salvar o neto, diagnosticado com um tumor cerebral agressivo. Sem condições de arcar com uma cirurgia cara e fora da cobertura do seguro, Joe arrisca tudo ao se inscrever em uma competição especial organizada pela liga profissional, voltada apenas para veteranos e antigos campeões. O retorno, no entanto, vai muito além da busca por dinheiro: é uma tentativa de reconciliar-se com o passado e, principalmente, com a filha de quem se afastou há anos. A premissa, por si só, já carrega força emocional suficiente para um bom drama familiar, e o filme até começa com a intensidade necessária. A sequência inicial — que mostra a descoberta da doença do neto e a decisão de Joe em voltar a competir — é, sem dúvida, o ponto alto da narrativa. É honesta, comovente e bem conduzida. O problema é que, depois dela, O Último Rodeio parece perder completamente o rumo. Jon Avnet, que também assina o roteiro ao lado de Neal McDonough (que interpreta o protagonista), aposta em uma fórmula já desgastada: o herói caído que busca redenção através da fé e do esporte. Nada de errado nisso — o cinema está repleto de clichês bem utilizados —, mas aqui, eles são simplesmente empilhados sem desenvolvimento. A trama se torna previsível, repetitiva e emocionalmente rasa. Cada obstáculo, cada diálogo e cada momento de “inspiração” parecem saídos de um manual de dramas esportivos religiosos. O texto não consegue criar vínculo entre o público e os personagens. As relações familiares, que deveriam ser o coração da história, soam artificiais e apressadas. E mesmo com o esforço de McDonough e Christopher McDonald (sempre carismático, mesmo com pouco espaço), o roteiro não permite que suas atuações respirem. Os personagens acabam presos a arquétipos: o pai ausente, a filha ressentida, o neto inocente e o treinador sábio. O que realmente chama atenção em O Último Rodeio é o cuidado na recriação da cultura dos rodeios americanos. Avnet acerta ao capturar a estética do interior dos Estados Unidos, com seus tons amarelados, feiras rurais e a devoção quase sagrada aos touros e montarias. É uma pena que esse aspecto, o mais interessante da produção, seja deixado em segundo plano em favor de uma história que prefere reciclar fórmulas ao invés de explorá-las com autenticidade. As cenas de montaria, embora tecnicamente bem executadas, carecem de emoção — o espectador nunca sente o perigo, o suor, o peso da decisão de Joe. Falta tensão e, principalmente, verdade. No fim, O Último Rodeio é um filme que acredita demais na boa vontade do público e entrega de menos. Nem como drama esportivo, nem como narrativa de fé, ele consegue decolar. Há boas intenções e momentos isolados de sensibilidade, mas o conjunto final mais parece uma reprise de algo que já vimos muitas vezes — e melhor contadas. *Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Paris Filmes. Foto: Paris Filmes ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal C+ Navegação de Post Crítica: “Entre Penas e Bicadas” Crítica: “Bom Menino”