James Gunn devolve ao herói de capa vermelha a esperança que tanto precisávamos – dentro e fora das telas

O quão importantes são nossas origens na formação de nosso caráter? E até que ponto nossas atitudes podem nos moldar em quem realmente somos? Em “Superman”, o novo longa dirigido e roteirizado por James Gunn, essas perguntas ganham contornos épicos e, ao mesmo tempo, profundamente humanos. Após anos de versões sombrias e distantes do Homem de Aço, finalmente volta às telas um Superman que inspira — e nos convida a olhar para o alto novamente.

Com estreia marcada para um novo início no universo da DC Comics, o longa equilibra ousadia e reverência. O foco desta vez não está no mito do “Super-Homem”, mas no homem por trás do mito. David Corenswet assume o manto com dignidade, oferecendo um Clark Kent de carne, osso e alma — já atuando como herói há três anos, sem a necessidade de revisitar sua origem em Krypton.

A escolha de não recontar a já conhecida explosão do planeta natal ou sua chegada ao Kansas é acertada: Gunn quer falar de presente. De escolhas. De consequências. E de humanidade.

Quando Superman intervém em um conflito entre as nações fictícias de Borávia e Jahanpur, tentando impedir uma tragédia, ele se vê no centro de uma crise geopolítica. A guerra é evitada, mas a reputação do herói sofre um golpe. O que se segue é uma reflexão poderosa sobre imagem pública, fake news, redes sociais e manipulação — temas atuais que ganham eco no roteiro com maturidade e sensibilidade.

Se o “Martelo de Borávia” surge como um adversário físico formidável, é o vilão Lex Luthor, vivido com excelência por Nicholas Hoult, quem realmente ameaça o protagonista. Cruel, invejoso e implacável, Luthor é o tipo de antagonista que não precisa de grandes poderes — sua ambição desenfreada e sua habilidade de corromper são mais do que suficientes.

O filme também brilha em seu elenco de apoio. Rachel Brosnahan entrega uma Lois Lane carismática, forte e afiada, que equilibra com naturalidade o romantismo e o profissionalismo. A “Gangue da Justiça”, formada por Mulher-Gavião (Isabela Merced), Lanterna Verde/Guy Gardner (Nathan Fillion), Sr. Incrível (Edi Gathegi) e Metamorfo (Anthony Carrigan) adiciona energia e diversidade ao universo, com destaque especial para o carisma de Krypto — o cãozinho superpoderoso que conquista a plateia com facilidade e protagoniza alguns dos momentos mais emocionantes da obra.

Há coragem em cada escolha do roteiro. O longa arrisca ao humanizar o super-humano, ao debater o heroísmo em tempos de descrença, e ao mostrar que, mesmo sendo um ser quase divino, Superman ainda precisa ser lembrado do valor das suas ações.

E talvez essa seja a principal mensagem do filme. Em tempos de desconfiança e ceticismo, Gunn nos lembra que ainda vale acreditar. Que, mesmo diante do caos, a esperança não é um conceito ultrapassado — é um ideal pelo qual vale a pena lutar.

Como diz a célebre HQ que inspira parte do filme, “Olho por Olho?”:“Sonhos nos salvam. Sonhos nos levantam e nos transformam. E pela minha alma, eu juro… até que meu sonho de um mundo onde dignidade, honra e justiça se tornem realidade, eu nunca vou parar de lutar. Nunca.”

Olhe para cima. Superman voltou. E com ele, a sensação de que o mundo ainda pode ser melhor.

*Título assistido em sessão regular de cinema

Foto: Divulgação/Warner Bros

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal C+

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