Após anos de especulações, a turnê Power Up desembarca em São Paulo e promete encerrar um ciclo histórico para os fãs da banda

Para quem cresceu ouvindo a banda AC/DC a passagem da turnê Power Up no Brasil não é só mais um show: é a realização de um sonho de infância.

Tenho quase 30 anos. Cresci ouvindo AC/DC no volume máximo, descobrindo cada riff como se fosse um segredo revelado só para mim. Durante anos, ver a banda ao vivo parecia algo distante, quase impossível, aquele tipo de sonho que a gente guarda sem saber se um dia vai conseguir realizar, tanto pela idades dos integrantes, quanto pela quantidades de anúncios que, infelizmente, não se concretizavam.

Me lembro das inúmeras “barrigas” jornalísticas. Todo ano surgia uma notícia dizendo que a banda estava confirmada no Brasil. Sempre tinha um repórter garantindo que no ano seguinte eles desembarcariam por aqui. Cheguei a ver portal grande, referência nacional, cravar que São Paulo já estava praticamente fechada com a produção. No fim, nada acontecia. E a gente ficava só com a esperança, de novo…

Foram anos assim. Expectativa, boato, frustração. Repetindo o ciclo.

Até que, dessa vez, é verdade. Três shows confirmados em São Paulo, em 2026. Não é mais rumor de bastidor nem promessa vazia. É real.

É como ver o berço, a matéria prima do Rock and roll pisar em território nacional para imersão de tantas almas famintas por tantos anos.

Muito se fala sobre os preços dos ingressos, sobre os gastos, sobre como está tudo caro. Mas, para quem passou a adolescência inteira imaginando como seria ouvir “Back in Black” ou “Thunderstruck” ao vivo, cercado por milhares de pessoas cantando junto, o valor vai além do número no cartão.

É sobre aquele garoto que ficava assistindo aos vídeos antigos no YouTube, tentando imaginar a energia de um estádio inteiro vibrando. É sobre crescer, trabalhar, aguardar o anúncio e finalmente poder dizer: “Agora eu posso ir”.

Talvez seja a última vez que teremos essa chance. Realmente acredito que seja. Sei que, quando as luzes se apagarem e o primeiro acorde soar, não vai ser só um show. Vai ser o fechamento de um ciclo. A realização de um sonho que não só me acompanha há mais de metade da minha vida, mas na vida de tanto fãs do gênero.

E algumas coisas simplesmente não têm preço.

Foto: Divulgação

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