Um encontro histórico em São Paulo reuniu gerações da cena drag, reafirmando o Brasil como potência mundial dessa arte No último sábado (16), o The Realness Festival 2025 abriu suas cortinas em São Paulo com quem é sinônimo de grandeza. Silvety Montilla, um monumento vivo da arte drag, deu início à noite lembrando que presença não se improvisa e trajetória não se apaga. Com humor afiado em seu stand-up e uma performance carregada de história, ela deixou claro que não se tratava apenas de um festival, mas de um manifesto. O primeiro bloco trouxe a vitalidade da nova geração. Aphrodite, Lara Precious, Juana Profunda, Sarah Vika, Ravena Creole, Rubão, Aimée Lumière e Danny Cowlt revezaram-se em números que oscilaram do pop popular ao experimental, sempre com energia e entrega. As anfitriãs Frimes e Deriré Back foram mais que apresentadoras: transformaram tempo em espetáculo, riso em costura e silêncio em acontecimento. Naza, Poseidon Drag, Hellena Malditta, Betina Polaroid, Adora Black e Mellody Queen mostraram que a pluralidade é a maior riqueza da cena. Cada qual em sua estética, todas deixando evidente que o Brasil não precisa pedir passagem, já ocupa o centro do palco. E quando parecia que a noite já havia atingido seu auge, Dacota Monteiro desceu do teto. Coreografia impecável, lipsync cortante e presença de palco absoluta. Foi um daqueles momentos que não apenas encerram um bloco, mas definem uma edição inteira de festival. Segundo ato: o diálogo internacional No segundo ato, o festival abriu espaço para o intercâmbio com artistas internacionais. Gigi Goode, Sasha Colby, Shea Couleé, Symone e Roxxxy Andrews dividiram palco com ícones nacionais como Márcia Pantera, Ikaro Kadoshi e Ginger Moon. Nesse diálogo, não havia hierarquia: a arte drag ultrapassava fronteiras e se tornava linguagem universal. Foi também neste momento que Grag Queen apresentou sua nova música, “Sideral”. Em meio à vibração do público, ela lançou o verso “eu só queria viajar até o sol”. A frase não poderia ser mais simbólica: naquela noite, o conjunto de performances brasileiras mostrou que esse voo já aconteceu. As drags do Brasil não só alcançaram o sol — elas se tornaram o próprio brilho que ilumina a cena mundial. Sasha Velour transformou um simples abajur em arte. E ao fazer isso, lembrou que drag é mais do que performance: é poesia visual que ilumina mesmo a partir da sombra. Entre os intervalos, DJs Set Karma, Alice Cavazzot, Guixty e Rafa Maia Zig mantiveram a pista em ebulição. E como já se tornou tradição, os leques do Império dos Leques ecoaram alto, quase como hino não oficial da celebração queer. O saldo não deixa margem para dúvidas. O The Realness Festival 2025 não foi apenas uma festa, foi a consagração da cena drag brasileira. Um encontro em que as veteranas reafirmaram seu lugar, a nova geração mostrou fôlego e os nomes internacionais reconheceram o Brasil como potência. Se alguém ainda hesitava sobre o tamanho da nossa arte drag, bastava estar lá. Dacota Monteiro desceu do teto. E o Brasil inteiro subiu junto com ela. Créditos: Redes Sociais/@realnessbr Navegação de Post Brilho, glamour e talento: Realness Festival traz ícones drag para São Paulo Celeiro de Criadores: agência revoluciona parcerias entre marcas e influenciadores