Foto: Antônio Augusto/Câmara dos Deputados Por 323 votos a 172, a PEC foi aprovada em segundo turno nesta terça-feira (9). Proposta é a principal investida do governo federal para viabilizar o Auxílio Brasil A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (9), em segundo turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios, a qual amplia o Orçamento de 2022 para o governo Jair Bolsonaro em mais de R$ 90 bilhões. Os novos recursos disponíveis viabilizam o financiamento do programa social Auxílio Brasil, uma das principais apostas de Bolsonaro para aumentar sua aprovação antes das eleições. A PEC dos Precatórios foi aprovada com o registro de 323 votos a favor, 172 contra e uma abstenção. A sessão teve uma quantidade maior de deputados (496 em contraste com 456 do primeiro turno) e um placar mais seguro para o governo. Na primeira sessão, foram somente quatro votos a mais que o necessário para a aprovação de propostas de emenda à Constituição (308). A proposta é a principal garantia de recursos para o programa Auxílio Brasil, que segundo o governo será um substituto do Bolsa Família e pagará o valor médio de R$ 217,18. Um aumento de 17,84% no valor pago pelo Bolsa Família (R$ 190,00). Origem dos recursosA PEC adia o pagamento de precatórios, ou seja, das dívidas judiciais e obrigatórias da União com pessoas físicas e jurídicas. Grande parte dessas dívidas são com funcionários públicos, como professores e servidores da área de saúde. O texto propõe que as dívidas sejam parceladas e haja um reajuste nas regras do Teto de Gastos do orçamento federal. Essas medidas liberariam R$ 91,6 bilhões no Orçamento de 2022. Segundo o governo, os recursos liberados pela PEC dos precatórios garantiriam o pagamento do Auxílio Brasil, o ajuste de benefícios vinculados ao salário-mínimo, o aumento de outras despesas obrigatórias e a liquidação de despesas relacionadas à vacinação contra a Covid-19. Caso o Senado aprove a PEC em sua configuração atual, a proposta será promulgada na forma de emenda constitucional, ou seja, se torna lei. Se os senadores promoverem qualquer mudança, que não seja apenas na redação, a PEC precisa retornar à Câmara e ser votada novamente. Proposta polêmicaMuitos especialistas não aprovam as medidas previstas pela PEC dos Precatórios. A Comissão dos Precatórios da OAB Nacional afirma que a PEC dos Precatórios possui mais de 30 violações constitucionais. Segundo a Comissão, a dívida pública pode chegar a R$ 1,5 trilhões em 2036, se o pagamento continuar a ser adiado. Economistas também apontam que adiar o pagamento da dívida pública coloca em risco a credibilidade fiscal do Brasil no exterior, diminuindo a confiança de investidores na sustentabilidade financeira do país. Para a oposição, a medida é um risco grande para a saúde financeira do Brasil e constitui uma tentativa do governo Jair Bolsonaro de liberar grandes quantidades de recursos em ano de eleição e executar políticas sociais que aumentem sua chance de vitória em 2022. Navegação de Post Câmara conclui votação da PEC dos Precatórios Moraes pede vista em julgamento de ação que pode comprometer o trabalho das defensorias públicas