Quadrinho que confirma sexualidade de Tim Drake foi publicado na última semana. Depois de 81 anos da sua primeira aparição nos quadrinhos de Batman, Robin, o menino-prodígio, se assumiu como bissexual no sexto e mais recente volume de Batman: Urban Legends. Nos quadrinhos, Tim Drake, o terceiro a assumir o manto de Robin, tem um “momento de iluminação” enquanto luta para salvar um colega e percebe que, na verdade, está interessado nele. O herói também já namorou a personagem Stephanie Brown. Depois que ele finalmente resgata Bernard, Robin se questiona: “Você já teve um momento de iluminação?” Como se algo lá fora estivesse te empurrando, te provocando. Como se você soubesse que deveria estar na mesma página que o seu cérebro, mas nem tudo faz sentido. As pessoas ficam me perguntando o que eu quero. Mas eu não conseguia entender. O que quer que fosse, sempre parecia fora de alcance. Até agora”, diz ele ao colega. A revelação foi feita na última semana com a publicação da sexta edição de Batman: Urban Legends. Nas páginas da revista, o herói aceita sair em um encontro com seu velho amigo Bernard Dowd. Em um texto publicado em seu site oficial, a editora relembra a dificuldade em retratar personagens homossexuais nos quadrinhos graças a um infeliz histórico de “pais desinformados e figuras de autoridade acusar [as HQs] de serem uma ferramenta para corromper a juventude”. Indiretamente, o texto cita a polêmica causada por Sedução do Inocente, livro de 1954 que, entre outras coisas, acusou Batman e Robin de viver uma relação homossexual. O pânico foi tanto que criou-se um código de censura das HQs que colocava regras rígidas nas histórias. A DC por sua vez chegou a dar namoradas para a dupla apenas para acalmar a repercussão da publicação: “A codificação queer nas HQs, a ideia de expressar seu verdadeiro eu através de uma fantasia colorida que esconde sua identidade do mundo, já foi considerada muito escandalosa por uma nação amplamente homofóbica. Enquanto jovens LGBT+ estavam encontrando um pedaço de si mesmos em personagens como Robin, juízes, psicólogos e até as próprias editoras, alarmadas por uma cultura que se volta contra elas, fizeram de tudo para censurar temas queer das HQs por décadas. E apesar desses temas terem sido sufocados, as especulações sobre a sexualidade do Robin nunca parou.” O texto afirma que a figura do Robin sempre permitiu leituras queer, independente dos heróis aparecerem com namoradas nas edições. Isso porque é natural que o público encontre no Menino Prodígio um representante no universo de Gotham: “Mas isso não deveria ser surpresa. De volta aos anos 1940, Robin foi criado com a intenção de ser um substituto do leitor — um personagem que o público poderia se projetar, combatendo o crime nos telhados por baixo das enigmáticas asas do Batman. Há Robins femininas, negros, ricos, pobres. Por que um leitor LGBT+, especialmente um abertamente ostracizado pela própria cultura dos quadrinhos por tantas décadas, deveria se sentir menos digno da mesma relação de representação?” Por conta desse retrospecto, a editora celebra o fato de Tim Drake ser oficialmente bissexual nos quadrinhos. O texto chega a citar Kate Kane, Batwoman cuja origem nas HQs serviu como crítica à lei que proibia homossexuais assumidos no exército dos EUA na vida real: “É um momento sobre o qual continuaremos falando e celebrando por anos. O momento em que os fãs LGBT+ foram — não por meio de subtextos ou da leitura de “ponto de vista” — mas abertamente e textualmente apoiados pela primeira vez desde que Kate Kane foi expulsa do exército. O momento em que um Robin, que poderia ser qualquer Robin, mas particularmente um Robin com história, legado e décadas de leituras com codificação queer em seu cinto de utilidades, recebeu a permissão de ser o ícone queer que sempre foi.” A HQ Batman: Urban Legends não tem data para ser publicada no Brasil. Reação na web mostra que fãs estão muito ansiosos pelo lançamento. Navegação de Post Tema do anime ‘Demon Slayer’ toca no encerramento das Olimpíadas de Tóquio Knotfest Brasil: Confira o line-up da primeira edição do evento no país