Paul Thomas Anderson entrega um épico político e pessoal que atravessa décadas sem perder o peso da atualidade

“A Violência Revolucionária é o único caminho”. É com esse espírito que Uma Batalha Após a Outra (A Battle After Another) começa, mostrando a libertação de imigrantes de um Centro de Detenção em Otay Mesa, na Califórnia. À frente do resgate está o grupo revolucionário French 75, liderado por Perfidia Beverly Hills (Teayana Taylor), que encontra em sua militância não apenas um propósito coletivo, mas também pessoal.

Do outro lado, surge o Coronel Steven J. Lockjaw (Sean Penn), um antagonista que figura entre os mais execráveis do gênero. Seu discurso e postura inspiram temor e respeito, mas nos bastidores suas contradições e escolhas moralmente dúbias revelam a verdadeira face de um poder sustentado pela violência.

Perfidia tem ao seu lado Ghetto Patt, também chamado de Rocket Man (Leonardo Di Caprio), criador das bombas usadas durante os protestos. Mas quando o casal tem uma filha, Charlene, o que deveria significar um novo rumo para suas vidas acaba levando-os a destinos opostos: Perfidia recusa a maternidade, enquanto Patt decide se afastar da luta armada. Com nova identidade, Bob Ferguson se refugia em Baktan Cross, criando a filha como Willa (Chase Infiniti), até que o passado retorna com brutalidade.

Dezesseis anos depois, um inimigo antigo ameaça sua rotina e sequestra Willa, obrigando Bob a voltar ao campo de batalha. O resgate envolve não apenas violência e vingança, mas também a presença de antigos companheiros revolucionários, como Deandra / Lady Champanhe (Regina Hall). A jornada da jovem em cativeiro a leva a descobertas dolorosas sobre seu pai e o legado de sangue que herdou.

A trilha sonora, resultado da sexta parceria entre Paul Thomas Anderson e Jonny Greenwood, é quase constante, em volume intenso que pode dividir opiniões. Se, por um lado, a música eleva a urgência das cenas, por outro, sua onipresença pode soar invasiva. Entre as escolhas musicais, clássicos como “Soldier Boy”, das Shirelles, e “Dirty Work”, do Steely Dan, acrescentam camadas de significado aos momentos-chave da narrativa.

Desenvolvido ao longo de duas décadas, o roteiro é livremente inspirado em Vineland (1990), de Thomas Pynchon, obra que refletia os embates sociopolíticos da era Reagan. Aqui, Anderson atualiza os temas para mostrar que, mesmo com mudanças inevitáveis, a sociedade pouco avançou em termos de empatia, justiça e humanidade. O que parecia exceção, quando visto de fora, pode se revelar rotina para aqueles que convivem diariamente com a violência e o descaso.

Com elementos que agradam à Academia, Uma Batalha Após a Outra equilibra épico político e drama íntimo, ao mesmo tempo em que denuncia a estagnação de um mundo que insiste em repetir seus erros. Uma obra densa, perturbadora e poderosa, que promete figurar entre os destaques da próxima temporada de premiações.

*Título assistido em Pré-Estreia promovida pela Warner Bros. Pictures Brasil

Foto: Warner Bros. Pictures Brasil

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal C+

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