Filme aposta na tensão e no olhar canino para reinventar o medo, mas é Indy quem realmente rouba a cena
Vamos falar a verdade: o fã de filmes de terror tolera muitas atrocidades — sustos baratos, monstros malfeitos, roteiros confusos —, mas quando o assunto é um bichinho fofo, a história muda completamente. Assim que Good Boy (Bom Menino) começou a circular nos festivais e nas redes, a pergunta era inevitável: “o cachorro vai morrer no final?” Porque, se isso acontecesse, não haveria pano suficiente no mundo para limpar a imagem do filme.
Felizmente, podemos respirar aliviados: o cachorrinho sobrevive. Já o espectador… nem tanto.
Dirigido por Ben Leonberg, Bom Menino apresenta sua história a partir de uma perspectiva inusitada — a de Indy, um belíssimo retriever da Nova Escócia que se muda com seu tutor para uma casa de campo envolta em rumores sombrios. Aos poucos, Indy começa a perceber coisas que os humanos não veem: vultos, ruídos, sombras que se movem sozinhas, e lembranças de acontecimentos macabros que parecem se repetir naquele espaço amaldiçoado.
Quando o dono de Indy começa a adoecer misteriosamente, o cachorro se vê completamente vulnerável, preso àquela casa e aos fenômenos que a cercam. É a partir daí que Bom Menino se transforma em uma experiência sensorial de puro desconforto — não por sustos ou sangue, mas pelo medo de que algo horrível aconteça ao cachorro.
O roteiro, é verdade, é raso e cheio de lacunas.
Não há grandes reviravoltas, e o final é confuso, deixando mais perguntas do que respostas. Mas a intenção de Leonberg nunca parece ser entregar uma narrativa complexa, e sim criar uma imersão emocional a partir do ponto de vista de um animal indefeso diante do sobrenatural. O resultado é um terror diferente, que provoca tensão e empatia em doses iguais.
Ao longo da projeção, o espectador se vê dividido entre o medo e a ternura — torcendo, o tempo todo, para que Indy saia ileso daquela sequência de eventos traumáticos. E se o roteiro falha em explicações, a atuação do protagonista canino compensa com sobra.
Ben Leonberg, que também é tutor de Indy na vida real, revelou que as filmagens duraram quase três anos, com todas as reações do cachorro guiadas por petiscos e sem qualquer tipo de maus-trato. O resultado é surpreendente: Indy expressa curiosidade, medo, confusão e tristeza com naturalidade comovente. É impossível não se envolver.
Bom Menino talvez não impressione como história de terror, mas funciona perfeitamente como experiência emocional — um exercício de empatia e tensão que nos lembra por que tememos tanto ver inocência colocada em perigo. E convenhamos: Indy não apenas carrega o filme nas costas, mas entrega uma performance digna de premiação.
Sim, o verdadeiro “bom menino” aqui é ele.
*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Paris Filmes.
Foto: Paris Filmes
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