Animação aposta na adrenalina das pistas, mas se perde na superficialidade de sua própria jornada Em Grand Prix: A Toda Velocidade, conhecemos Edda, uma jovem ratinha que sonha em se tornar uma grande corredora e competir na lendária corrida Grand Prix. O sonho, no entanto, parece distante da realidade: vivendo com o pai, Erwin, no subúrbio de Paris, Edda ajuda a manter o decadente parque de diversões da família, que está à beira da falência desde a morte da mãe. Com dívidas acumuladas e a ameaça de perder o parque, surge uma oportunidade improvável — Edda pode disputar o Grand Prix ao lado de seu ídolo, o astro das pistas Ed. Disfarçada como o próprio corredor, ela mergulha em uma jornada de velocidade, descobertas e riscos, onde o prêmio em dinheiro pode ser a salvação do negócio familiar. Toda animação protagonizada por animais antropomórficos carrega um potencial quase ilimitado para explorar metáforas sociais e mensagens emocionais — e exemplos não faltam. Zootopia (2016), por exemplo, soube usar essa estrutura com maestria para refletir sobre temas de convivência, diversidade e identidade. Grand Prix, por outro lado, parece ignorar completamente esse caminho criativo, preferindo se apoiar quase exclusivamente nas sequências de corrida e ação para sustentar sua narrativa. Dirigido pelo alemão Waldemar Fast, o longa até entrega momentos empolgantes nas pistas, com boa energia e ritmo. No entanto, fora delas, o filme tropeça em um roteiro previsível e sem inspiração, repleto de clichês reciclados do cinema infantil. As piadas são repetitivas, as motivações dos personagens soam rasas, e o arco emocional de Edda se perde entre as curvas de uma história que jamais acelera de verdade. Visualmente, Grand Prix é uma produção competente. A animação apresenta cores vibrantes, boa fluidez e design simpático, especialmente nas cenas de corrida, que têm dinamismo e brilho suficientes para entreter o público mais jovem. O problema é que o filme se contenta com o visual e deixa de lado qualquer tentativa de construir uma mensagem duradoura. A ausência de um subtexto mais robusto ou de um conflito emocional convincente faz com que tudo pareça passageiro — bonito de ver, mas fácil de esquecer. No fim, Grand Prix: A Toda Velocidade é como um carro de corrida com um motor potente, mas sem direção. Funciona como passatempo, com ação leve e estética agradável, mas falta coração e personalidade. É uma animação que até acelera, mas não chega a lugar nenhum. *Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Paris Filmes. Foto: Paris Filmes ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal C+ Navegação de Post Crítica: “Bom Menino” Crítica: “Truque De Mestre – O 3º Ato”